ATENÇÃO! Cultura em construção – Desculpe os transtornos.

ATENÇÃO! Cultura em construção – Desculpe os transtornos.

   Adoro realizar nossas pesquisas sobre dinâmicas culturais, nossas Investigações Sociais Interventivas, em diferentes ambientes organizacionais. Sejam indústrias, redes de varejo, startups ou Organizações da Sociedade Civil. A ideia é sempre acompanhar e interagir com os profissionais em seus locais de trabalho para aprender mais sobre suas dinâmicas sociais, dedicando plena atenção à construção da sua cultura. Tudo com a anuência de gestores e líderes envolvidos no propósito de melhorar os ambientes de colaboração.

   Costumo dizer que cada novo projeto envolve três etapas: (1) a conquista da adesão de gestores e líderes, quando apresento as oportunidades desta forma de intervenção. O que pode levar um certo tempo até o convencimento e estabelecimento dos compromissos; (2) a implementação da investigação em si, que compreende diferentes dinâmicas de interação como observações participativas, entrevistas e grupos focais; e (3) a apresentação dos resultados. O que quase sempre se torna um novo ciclo no processo de investigação por conta das reações dos gestores às descobertas e proposições.

Vamos começar pela ATENÇÃO!

   Durante o processo de adesão, por exemplo, é comum que gestores e líderes demonstrem surpresa com a variedade e complexidade dos pontos que serão considerados e apreciados na investigação. Tratam-se de elementos para os quais não damos a devida atenção por causa do volume de informações e atividades cotidianas com as quais precisamos lidar.

   É fascinante perceber que o simples fato de chamar a atenção para o que será observado desperta nos gestores um outro olhar sobre suas equipes. Na apresentação dos indicadores investigados alguns líderes começam a perguntar se será possível esclarecer este ou aquele comportamento; responder esta ou aquela dúvida. Minhas respostas são quase sempre afirmativas.

   Nesta etapa surgem muitas perguntas e a percepção de que os questionamentos têm mais valor do que as certezas que pensamos ter.

   É preciso muita atenção para observar e compreender algo vivo e fluído como as dinâmicas humanas que compõem uma cultura em constante transformação nas organizações.

Lembre-se, a CULTURA está sempre em CONSTRUÇÃO.

   O maior desafio do processo investigativo é reconhecer que estamos lidando com dados dinâmicos e situações orgânicas. Há uma carga imensa de significados em cada diálogo que nos faz lembrar da importância de sempre perguntar: e o que mais!?

   Para compreender os efeitos de determinado comportamento é preciso descobrir suas causas. Qual crença o originou? Quais elementos dão suporte para a sua permanência? Quais significados são percebidos pelos envolvidos? São estas perguntas que nos levam a superar interpretações superficiais e nos permitem criar maneiras de inspirar a mudança.

   Sim, mudança! Afinal, se a cultura está organicamente viva, podemos sim inspirar novas atitudes, desde que de dentro para fora. Mas será preciso mais do que uma “fotografia estática”, como a elaboração da One Page Culture, longos relatórios ou quadros na parede. Da mesma forma como as descobertas feitas por meio de observações, entrevistas ou grupos focais não devem servir como “justificativa” do cenário atual e sim para compreender como chegamos até aqui e apreciar para onde podemos (ou devemos) seguir.

   Por isso o conceito de Investigação Social Interventiva pois ela se propõe a servir como ponto de partida para mudanças implementáveis e factíveis!

“Desculpe os transtornos. Estamos construindo nossa cultura!”

   É preciso ter coragem para reconhecer que estamos em constante mudança, num processo de construção ou reinvenção de nossas organizações. Sempre que criamos novos produtos, serviços ou redirecionarmos o modelo de negócio transformamos um pouco da cultura e evoluímos em nossa maneira de ver o mundo e suas conexões (nosso mindset).

   Os “transtornos” surgem especialmente por nosso desejo pela estabilidade. Queremos acreditar que o ponto de equilíbrio ou amadurecimento de uma organização, negócio ou mesmo de um relacionamento torne as coisas imutáveis e permanentes. Acontece que a maturidade é exatamente o oposto disso.

   As transformações culturais são tão intensas em organizações já consolidadas quanto em novos empreendimento como as startups. Mas o fato é que todo grupo social está em constante geração de novos significados, (re)definindo sua identidade e gerando valor.

   Talvez neste ponto você possa questionar: “então qual o papel de uma investigação se tudo está em constante mudança?”; Bem, o papel desta forma de trabalho é compreender as dinâmicas, não fazer um retrato estático, para a partir desta visão propor ações de incentivo e direcionamento, não de controle.

   O papel de gestores e líderes envolve compreender as dinâmicas sociais de suas equipes para potencializar a transformação de sua Cultura Organizacional e gerar melhores resultado para toda organização, incluindo seus colaboradores, a sociedade e seus acionistas.

   Precisamos assumir o papel de construtores! Assim nos tornamos protagonistas e não coadjuvantes do que já acontece naturalmente em nossas organizações. Portanto, dedique atenção, reconheça a fluidez das dinâmicas e compreenda que toda mudança gera inconformidade… Afinal se mudamos a forma, a pessoas se sentem desconfortáveis. E isso é bom!

 

Rafael Giuliano,
construtor atencioso e eterno inconformado!

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